sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Será mesmo que existe a crise dos 30?



Bem, como sempre digo em meus artigos, posso falar sobre mim. E sim, eu tive a chamada “crise dos 30”. Mas começou um pouco antes: às vésperas do meu aniversário de 27, três anos atrás. Lembrei de um caderninho que eu tinha aos 15 anos, com todas as coisas que iria fazer nos próximos anos. Exemplo: aos 21 me formar, aos 22 conseguir o emprego dos sonhos, 24 conhecer o cara ideal e aos 30 já estar casada, com uma casa e planejando o primeiro filho. Já tinha até as opções de nomes. Sinto muito meninas, mas não funciona assim.

Muitas coisas podem interferir no percurso. E só com o tempo, aprendemos que, durante esse percurso, temos muito que aprender. Não dá para colocar a vida numa caderneta fechadinha, sem margem para mudanças. Principalmente na adolescência. Nesta fase em que estamos cheias de sonhos, esperanças e rebeldia. Em nossa cabeça, temos o mundo em nossas mãos. E, de certa forma, na fase adulta podemos ter. Mas não de forma planejada.

Delicado explicar. O mundo te oferece tudo. Você precisa estar preparado para receber. E isso diz respeito a equilíbrio emocional e mental. Para conseguir o que deseja, você precisa estar preparada. E quando você está preparada, as coisas acontecem naturalmente, sem precisar de caderninho, força ou planos.

Lembre-se da sua infância. Você teve a fase em que admirava seus pais e queria ser como eles, depois conheceu sua professora e queria ser professora como ela, depois astronauta, médica... Até descobrir para o que tem afinidade e “se jogar” nisso. Passei pela fase da professora, médica, advogada, até chegar à adolescência e decidir ser publicitária. Depois jornalista, para tentar fazer justiça por uma injustiça que a minha família sofreu. Entrei nisso de cabeça, achando que nasci para aquilo.

Trabalhei para diversos e importante jornais da região, assessorei políticos e empresas importantes, tive meu próprio jornal. A grana era sempre boa. Entrava e saía com a mesma velocidade. E ainda assim me sentia vazia e incompleta. E com a tal da crise dos 30 a coisa se enfatizou de uma forma que quase me enlouqueceu. O que estou fazendo? Para onde estou indo?


Depois do meu ultimo artigo, recebi mensagens de várias mães perguntando como lidar com o filho adolescente que vive em dúvida sobre o que e quando fazer. E repetirei o que disse a cada uma delas: cuide de você, se equilibre, se fortaleça e, em seguida, as pessoas ao seu redor te verão felizes, completas e plenas e, assim, seguirão seu exemplo. Usei essa frase com minha terapeuta esta semana. Disse a ela: decidi escrever porque as pessoas aprendem melhor com exemplos que com ordens. Por isso conto minha história.

Observem quando uma pessoa habituada a jogar lixo na rua viaja para uma cidade onde tudo está limpo, onde os moradores jogam o lixo no lugar certo. Como a pessoa se sente? Automaticamente inclinada a fazer o mesmo, a fazer o que é certo. Quando seu filho te vir como uma pessoa tranquila, feliz no que faz, equilibrado, ele vai se sentir menos pressionado e mais inclinado a fazer o mesmo, a fazer escolhas que o deixem felizes, animados, e inclinados a fazer a coisa certa para ele, e não para os outros.

Este trabalho de autoconhecimento e equilíbrio que estou fazendo, me fez entender que nem sempre as coisas podem ser da maneira que você planejou há 10 ou 20 anos atrás. A felicidade, o amor, a paz, a realização... Tudo isso começa por um processo interno. E, em seguida, o universo conspira a seu favor.


Quanto à crise dos 30, fica mais fácil terminar com ela quando você descobre verdadeiramente quem você é e que está no caminho certo para a sua felicidade. Independente de quem esteja a seu lado, se já tem filhos ou não. Não tenha medo: as coisas vão tomar o rumo que precisam tomar. Você deve isso a você, e não aos outros.


Namastê

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